MICHAEL JACKSON THE GREATEST
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inverno em tóquio 1º parte

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1 inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 03, 2011 1:36 pm

intercris


Colaborador
Colaborador
INVERNO EM TÓQUIO- UMA AVENTURA DO OUTRO LADO DO MUNDO

CAP 1

Era inverno e a chuva castigava o final daquela tarde fria de um céu escuro e sem graça.
Retornei para casa e tudo o que eu queria era relaxar após uma semana de muito trabalho e compromissos. Passei na caixa de correios e peguei as correspondências, como de costume. Subi até o quinto andar do velho prédio no centro da cidade e suspirei cansada após alguns lances de escada. Tentava me dividir entre cartas, guarda-chuva e um lanche que peguei para comer antes de dormir.
peguei para comer antes de dormir.
Abri a porta do kit net, joguei a papelada sobre a mesinha de centro e percorri o estreito corredor entre o quarto e a cozinha tirando a bota e o casaco molhado.
Peguei um edredom, voltei para a sala mordiscando o sanduíche, liguei a TV, desliguei o telefone e deitei-me no sofá de canto, o único do lugar. Queria tirar um cochilo, o que seria no mínimo revigorante.
De repente, a palavra ”URGENTE”, me chamou à atenção em uma das cartas. Estava tão preocupada com o meu aninhamento que não percebi a escrita em letras garrafais.
Mesmo sonolenta, estava curiosa para saber do que se tratava. Então corajosamente levantei-me para pegá-la e voltei rapidamente para o meu ninho sentindo o frio da cerâmica cortar a sola dos meus pés descalços.
A notícia, em poucas palavras me fez esquentar de alegria. O sonho de estudar no Japão se tornara realidade.
-Não acredito. Não pode ser. Depois de tanto tempo!
Eufórica, levantei-me do sofá em um salto e apertei-na contra o meu peito, tomada subitamente por um sentimento de realização.
Sem me dar conta do que estava fazendo, passei a mão no telefone e mais que depressa liguei para a Roberta para contar-lhe a novidade.
-Alô.
-Alô Roberta é a Cris, tudo bem?
-Oi amiga, tudo bem e você?
- Bem, acho que você terá que providenciar um lugarzinho para mim no seu apartamento.
-Não brinca! Não me diga que...
-Não estou brincando. A minha bolsa finalmente foi aprovada!
-Que maravilha Cris! Então você virá para Tóquio?!
-Não vejo a hora!
-Se quiser poderá vir já. Estou trabalhando numa empresa grande e graças a Deus estou muito bem.
-Não sei não. Ainda não contei para os meus pais e como você já sabe sempre passamos o natal juntos.
-Será que você consegue vir antes do ano letivo?
-As aulas só começam na primavera, ainda tenho tempo.
-Ah... Amiga, estou morrendo de saudades.
-Verei o que posso fazer para estar aí logo.
-Está bem. Mas promete que pensará com carinho.
-Prometo.
Após essa conversa, senti uma vontade incrível de comemorar. Produzi-me e fui ao meu novo destino daquela noite, que já estava acontecendo em um dos meus locais preferidos perto dali. Eu não queria chegar atrasada para a sessão de karaokê na qual todos cantariam animados. Também não queria perder os maravilhosos martines de menta, nem a dança sob luzes multicoloridas. Estava decidida a tirar o maior proveito dos últimos momentos com os meus amigos. Não tinha tempo a perder.
Equipada então com os meus fabulosos sapatos de salto fino, sai voando, certamente faria uma entrada triunfal e um grande sucesso na festa.


CAP.2


Estava tentando me recuperar do final de semana agitado. Saí do banho com os cabelos molhados ajeitados apenas com os dedos, vesti um pijama casual de algodão para me proteger do frio, peguei uma caneca de chá e aproximei-me do sofá, quando o telefone tocou.
- Alô.
-Alô Cris, sou eu.
-Oi Beta, está tudo bem?
-Desculpe por ligar a esta hora, sei que é tarde aí, mas eu não podia esperar.
-Mas... O que aconteceu?
-Fui contratada pela EPIC SONY, que está responsável pela turnê do Michael Jackson aqui no Japão!
-Fala sério Roberta!
-Nunca falei tão sério em toda a minha vida.
-E como você conseguiu isso?
-Lembra quando falei do Jermanie?
-Claro, seu namorado?!
-Ele é gerente de propaganda de lá, então surgiu uma oportunidade e me convidou para assumir o cargo de assistente dele.
-Mas isso é fantástico!
-E eu ainda não disse tudo.
-Tem mais?
-Nesse final de semana saímos para jantar e ele me contou uma coisa a que eu custei acreditar.
-Vamos Roberta, fale, está me deixando ansiosa!
-Ele e Michael são... Amigos.
-Não, isso não pode ser verdade. É muita coincidência! -Disse estarrecida enquanto caía no sofá
- É verdade sim. Agora escute: Você precisa vir logo para Tóquio.
-Como assim?
-Eu comentei com o Jermanie sobre o seu sonho de conhecer Michael e ele me prometeu que nos apresentaria para ele. Mas a turnê começa à aproximadamente quinze dias, e só ficará aqui até janeiro. Você não pode vir só no começo do ano como havia planejado.
-Mas, e meus pais? O que direi a eles?
-Diga que precisa vir antes para finalizar o processo da bolsa, ou... Invente qualquer coisa. Use as mesmas artimanhas de quando éramos crianças.
-Roberta. Você me surpreende às vezes.
-Cris, pense bem. A oportunidade é boa demais para deixar passar.
-Meu Deus. Eu ainda não estou pronta. Como farei isso?
-Se é por causa da documentação, pode deixar que eu providencio para você. O visto não é problema, o seu é de estudante... Por favor, Cris.
-OK. Você já me convenceu. Não fique aí choramingando. -Disse sorrindo.
-Obrigada amiga! Prometo que não vai se arrepender.
-Espero que não.
Imediatamente a importância daquela viagem se fez mais clara em minha mente. Mais do que nunca estava subitamente ansiosa e necessitava que aquela semana passasse logo. Além de me dedicar a um novo projeto tudo assumia um novo significado. Conhecer Michael não estava em meus planos, porém o destino me reservou esta inusitada surpresa. De repente tudo ficou ainda melhor.
Aquela novidade fez-me dormir sorrindo. Sorrindo muito!



CAP.3


No final de semana que precedia a viagem, fui à casa de meus pais no interior. Não os via desde Dezembro. A vida agitada na cidade me permitia visitá-los apenas uma vez a cada ano.
Desci do ônibus, naquela pacata região. Meu olhar estendeu-se por alguns segundos, profundo, observando aquele lugar cheio de significados. Ainda era o mesmo onde passei minha infância. As pessoas eram as mesmas, cujas diferenças, muitas e grandiosas me impediram de viver ali.
E isso refleti enquanto considerava os dias que tinha pela frente.Uma mudança ainda maior .Não podia evitar.Tinha esperanças de uma vida melhor.De um jeito estável e duradouro.Para sempre de preferência.
Finalmente cheguei após uma intensa caminhada.
Olhei em volta examinando todos os detalhes da casa que reformada parecia um rancho da década de cinqüenta. Tinha dois dormitórios, um banheiro, janelas amplas voltadas para a pequena vizinhança e paredes com tijolos à mostra. A mesma parecia se debruçar sobre mim, abraçando-me novamente. Lembranças de outros tempos, de momentos vividos ali mesmo, invadiram a minha mente. Entrei e vi minha mãe sentada.
A luz da sala de jantar arrancava reflexos intensos dos seus cabelos grisalhos enquanto bordava distraída. Quando me viu, sua expressão tranqüila mudou. Movendo-se com cuidado, ela deixou as agulhas sobre a mesa, e abriu os seus braços para mim com um olhar tão envolvente, tão carente que quase foi impossível resistir ao impulso de saltar sobre ela.
-Filha? Aconteceu alguma coisa?-A voz doce como o mel.
-Aconteceu uma coisa maravilhosa. Vou para Tóquio semana que vem!
A bolsa que você tanto queria!
-Isso mesmo mamãe.
-Então não estará conosco no Natal?
-Não querida. Tenho que ir. Há muitas coisas para resolver, então...
-Sabe que não será fácil convencer seu pai.
-Onde ele está?
-Venha.
Então fomos até ele. E lá estava sentado na rede da varanda nos fundos da casa, com os olhos fitos na bela paisagem. Fiquei o observando por alguns segundos. Repentinamente se deu conta da minha presença, lentamente virou a cabeça.
Fiquei imóvel diante do seu olhar surpreso.
-Não vem me dar um abraço, preguiçoso?- Instiguei, com os braços estendidos. Queria fazê-lo sorrir e apagar aquela súbita tensão do seu rosto.
O gesto o fez sorrir de fato. Mas era um sorriso vazio, triste. Não havia humor nesse sorriso. E era claramente possível identificar em seus olhos verdes certa apreensão.
Levantou-se devagar e veio em minha direção e eu o abracei lentamente.
-O natal chegou mais cedo este ano? -Indagou sério. Sabia muito bem que aquilo indicava mudanças nos planos. Ele me conhecia demais.
-Estou de viagem marcada. Meu sonho finalmente será realizado, após uma longa espera.
Com um passo para trás ele olhou-me fixamente, querendo encontrar um motivo para abraçar-me de novo, mas aquilo era como uma punhalada em seu fraco coração.
-Pai preciso da sua aprovação, mas quero que saiba que irei de qualquer jeito. -Repliquei.
Sabia que precisávamos falar sobre aquilo pela última vez se quisesse sair dali aliviada.
-Querido está tudo bem. Se não ajudarmos a nossa única filha, o que mais faremos de nossas vidas?-Argumentou minha mãe, sabendo o quanto aquilo era importante para mim.
Ele olhou-me pensativo, como se procurasse organizar suas idéias e processar aquela forte constatação de que nada me faria voltar atrás. Eu era como ele. Sempre busquei com afinco realizar todos os meus objetivos.
Como se extraísse forças dele, o sorriso naturalmente desabrochou até transformar-se numa risada aberta e sincronizada.
-Ah! Filha. Sua mãe tem razão. Não posso competir com seus sentimentos de conquista. Confesso que me sinto orgulhoso por essa sua determinação pelo sucesso.
-Obrigada pai. Não sei se conseguiria sem você.
Neste momento eu os abracei e senti que poderia ir sem ressentimentos. Suas palavras foram determinantes.
O final de semana foi maravilhoso. Matamos a saudade, conversamos e relembramos momentos felizes. Despedi-me de amigos, os quais me presentearam com fotos da nossa infância, e de épocas bem vividas ali. Estava muito feliz e realizada.
A hora de ir estava chegando. Com uma expectativa no rosto, como um aluno que aguarda ansioso o prêmio do professor, dei-lhes a última chance de demonstrarem que tudo estava bem. Um abraço apertado foi a resposta que recebi de ambos, fazendo-me sair dali muito satisfeita, com a certeza que nada havia mudado entre nós.
-Não se esqueça de ligar assim que chegar lá. -Disse meu pai com lágrimas nos olhos.
-Claro que sim. –Respondi passando com carinho a minha mão em sua leve calvície.
-Se cuida minha filha. É um lugar tão diferente e tão... Longe. -disse minha mãe apreensiva.
-Fique tranqüila. A Roberta esta lá há um ano, esqueceu? Ela está bem. Será assim comigo também.
-Adeus.
-Adeus.
Vê-los abraçados no terraço me saudando cada vez mais longe à medida que eu caminhava, fez-me chorar, mas não pensei em voltar em nenhum momento. Um sonho me aguardava.

CAP 4

De malas prontas desci do meu apartamento, naquela manhã fria de terça-feira e encaminhei-me para o taxi. O meu coração disparava pela determinação de viver aquele que seria o momento mais marcante da minha vida e mudaria todo o meu destino. Pensando nisso respirei fundo e segui para o aeroporto.
No caminho lembranças foram aflorando em meio a lágrimas de saudades que já sentia. Fui me despedindo daquela paisagem de amor fraternal que de alguma forma me abrigou e me deu esperanças, fazendo-me crescer Diariamente.
Cheguei mais confortada, no entanto, estava cada vez mais ansiosa. Depois do checking, caminhei alguns metros até uma lanchonete e pedi um chá de gengibre e mel. Sentei na confortável poltrona da sala de espera e dei um gole no líquido que deslizou em minha garganta fazendo-me relaxar.
Consultei o relógio de pulso. -Meu Deus! Devo embarcar dentro de alguns instantes!
Mais alguns minutos a palavra Tóquio aparece brilhante no painel de informações. Tomei um choque que me fez levantar e caminhar apressada, sem se quer olhar para trás.
Após quase trinta horas de vôo, o Boeing 747, da Canadá Air Lines finalmente pousou no aeroporto de Narita. Desci do avião sentindo a brisa fresquinha do outono e acompanhei o fluxo de pessoas que caminhavam pelo imponente corredor de cerâmica xadrez em tons de cinza e laranja, com um teto luxuoso e extremamente alto. Fiquei admirada com a monstruosidade do lugar. À medida que me aproximava do portão de desembarque a minha ansiedade aumentava.
Na saída, havia uma estranha aglomeração de pessoas e da imprensa. Parei assustada diante daquilo: pelo menos uns seiscentos reportes estavam plantados no lugar.
Meio confusa procurei a Roberta que estava do outro lado acompanhada de um homem muito bonito. Alto, atlético, bem vestido, típico negro americano. –“Jermanie” –Pensei.
Quando seus olhos castanhos me encontraram, Roberta acenou e veio rapidamente ao meu encontro.
Abraçamo-nos vigorosamente com beijos estalados em ambas as faces.
-Cris! Graças a Deus que está aqui! Como foi a viagem?
-Sobrevivi. Mas e... Que confusão é esta?
-A imprensa descobriu de última hora que o Michael chegaria hoje.
-E você sabia disso?
-Sim. Queria fazer-lhe surpresa.
-Roberta, você ainda me mata de susto!
Ela sorriu. Estávamos tão eufóricas que não percebemos o quanto o Jermanie nos observava em silêncio.
-Venha. –Disse Roberta me pegando pelo braço.
-Cris, este é o Jermanie.
-Olá Cris. É um prazer conhecê-la.
-O prazer é todo meu.
De repente a gritaria aumentou. – É ele.

continuaaa....



Última edição por intercris em Qui Fev 03, 2011 7:59 pm, editado 1 vez(es)

2 Re: inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 03, 2011 4:48 pm

CecíliaBad

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Moderador
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AW! CONT. 100000000000000000000000000 X

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3 Re: inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 03, 2011 5:01 pm

Ellen

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Ahhhhhh....vamos lá,continuaaaaaaaaa cheers

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4 Re: inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 03, 2011 5:18 pm

cleia mj

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Moderador
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Continua e posso te pedir um favor? Escreve uma letra maior está
muito pequena fica ruim de ler. a fic é bem legal

5 Re: inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 03, 2011 8:00 pm

intercris


Colaborador
Colaborador
cleia mj escreveu:Continua e posso te pedir um favor? Escreve uma letra maior está
muito pequena fica ruim de ler. a fic é bem legal



sem problemas amor!!!!! bjus.

6 Re: inverno em tóquio 1º parte em Sex Fev 04, 2011 11:06 am

CecíliaBad

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Moderador
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7 Re: inverno em tóquio 1º parte em Sex Fev 04, 2011 4:21 pm

cleia mj

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Moderador
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intercris escreveu:
cleia mj escreveu:Continua e posso te pedir um favor? Escreve uma letra maior está
muito pequena fica ruim de ler. a fic é bem legal



sem problemas amor!!!!! bjus.

OBRIGADO!!!!!!! cheers cheers cheers

8 INVERNO EM TOQUIO (1° PARTE) em Sex Fev 04, 2011 6:33 pm

intercris


Colaborador
Colaborador


meninas obrigado mesmo por acompanharem. dentro de alguns dias eu postarei a parte dois desta linda historia de amor. fikem com deus.



CAP 5

Michael atravessou o portão acompanhado de sua equipe. Em resposta ao carinho dos fãs ergueu as sobrancelhas oferecendo-lhes um sorriso encantador, contagiante. O olhar inocente brilhava como o de uma criança.
-Lindo! –Disse enquanto o acompanhava com um olhar perplexo, boquiaberta. Eu estava simplesmente fascinada.
No mesmo instante dei-me conta de que ele já havia passado. Pisquei como alguém que desperta de um sonho e lentamente virei a cabeça.
-Ora, ora, o que foi isso? –Provocou Roberta com um sorriso sínico.
Meneei a cabeça, a testa franzida, tentando esconder a inquietação que me dominava.
-Acho que vê-lo pessoalmente deixou-lhe um tanto perturbada! -Concluiu Jermanie enquanto cruzava os braços adotando uma postura desafiadora.
-Não posso negar. Confesso que ele mexeu comigo. -Respondi satisfeita movendo a cabeça afirmativamente.
-Ah! Bem, foi o que eu pensei!- Exclamou Roberta em voz exageradamente alta.
Assumi um ar pensativo: “Será que ele podia mesmo está me perturbando?”
-É muito bom... Melhor do que eu esperava vê-lo assim tão perto. É diferente da revista ou TV, por exemplo.
-Ele é um homem de sorte. Vai adorar conhecê-la.
-Você quer dizer: Que sorte seria a minha!
-Posso adiantá-la que ele já está interessado. –Garantiu, arqueando as sobrancelhas.
-Jermanie isso é muito sério...
-E quem disse que eu estou brincando?
-Você... – Engoli em seco. - Falou com ele sobre mim? – A expressão surpresa e ao mesmo tempo apreensiva.
Ele riu. Uma risada alta e tão sincera que me deixou sem graça.
-Jermanie... –Disse Roberta chamando–lhe à atenção para o meu acanhamento.
-Tenho uma idéia. Por que não tomamos algo e conversamos sobre o assunto? Prometo responder todas as suas perguntas. Senhoritas... - Disse dando os braços para nós.
-Está bem. O acompanhamos.
-Que lugar fantástico! Parece uma cidade. Tem tudo dentro! – Disse admirada olhando em volta enquanto caminhávamos para o Café.


-Bem, Jermanie comece a explicar direitinho o que você está aprontando. - Ordenou Roberta.
- Na verdade, estou curiosa para saber como se conheceram! -Repliquei.
- Calma meninas! Isso parece mais um interrogatório!
-Ora, você nos prometeu que falaria!
-Bem... -Começou dando um gole na bebida quente. - Eu já trabalhava há um ano na Sony, quando fui convidado para cobrir a última turnê de Michael com os Jackson Five, no verão de 84. A divulgação percorreu os Estados Unidos e Canadá países onde aconteceriam os shows e o sucesso foi bárbaro.
-E como aconteceu o primeiro encontro de vocês?-Perguntei roendo as unhas.
- O Michael é um cara muito carismático e trata com respeito todos os que trabalham com ele. Encontramo-nos algumas vezes nos bastidores e conversamos um pouco sobre o trabalho, diferente dos seus irmãos sempre com uma postura inatingível. Depois da turnê, ele quis manter contato e eu achei isso curioso.
- Cara eu não acredito!
-Ele me falou dos seus planos para a carreira solo, e que seria um prazer contar comigo quando isso acontecesse. Então não deu outra! Ele assinou contrato conosco e a amizade ficou ainda mais sólida, por que tínhamos contatos diretos, ou seja, tudo relacionado à divulgação de Michael passava primeiro por mim, e a Sony cuidava do resto. Por conta dessa ligação eu fiquei hospedado em sua casa, quando fui para Los Angeles a trabalho. Ele até me apresentou os seus animais de estimação! Foi uma experiência inusitada.
-Tudo isso é tão... Louco!- Disse estarrecida, não conseguindo ao menos experimentar o chá que já estava frio.
-E sobre ele querer conhecer a Cris?
-O Michael é um cara solitário. Há pouco tempo comentei em uma ligação que estava namorando e que uma amiga estava chegando do Brasil para estudar. Ele ficou super curioso, pois queria saber um pouco mais sobre a brasileira, e achou interessante o fato de que alguém estivesse atravessando o mundo com este fim. Eu não conhecia a Cris então comecei fazer perguntas para a Roberta e à medida que sabia mais eu contava para ele.
-Isso é incrível! Estou impressionada com tudo isso! - Exclamou Roberta.
-A Roberta mais do que ninguém sabe o quanto eu sonhei com isso. - Comentei.
-E eu ria de você. Que bobagem.
-Muito bem! Estou aqui para realizar o seu sonho. – Anunciou Jermanie.
-Você só pode ser um anjo. –Conclui.
-Um cupido!- Acrescentou Roberta.
-Roberta, não vá tão longe!- Repliquei.
-Roberta, preciso ir. Tenho aquele compromisso.
-Claro, também estamos de saída, a Cris precisa descansar.
Os dois se beijam.
-Fique tranqüila, tudo dará certo por aqui. Assenti dando-lhe um sorriso.
Pegamos um táxi.

CAP 6

No trajeto do aeroporto à metrópole, fiquei surpresa com as paisagens rurais que revelavam vastas plantações de arroz em meio a vilas de ruas estreitas e casebres de arquitetura rústica.
Eu ainda estava pensativa com tudo o que ouvira e permaneci assim durante alguns instantes. O silêncio foi quebrado quando pensei alto: ”será que está acontecendo mesmo?”
-É claro que sim. Não é sonho não, é sim a mais pura realidade. -Constatou Roberta.
De repente a aparente calma daquele trecho tranqüilo foi substituída pela movimentação frenética de pessoas, congestionamentos, aglomerados de prédios acinzentados e muito barulho.
-Chegamos. – Anunciou Roberta num suspiro.
O prédio era bem bonito com uma fiel decoração japonesa na entrada
Quando a Roberta abriu a porta do apartamento que ficava no oitavo andar, entrei cuidadosamente e coloquei a mala num canto.
Logo fui atraída por uma paisagem deslumbrante. A Torre de Tóquio, cartão postal, podia ser vista no meio do emaranhado de arranha-céus. Ao fundo o monte Fuji parecia flutuar. O dia ensolarado contribuiu para esta estarrecedora visão.
-Que maravilha!
Um vento gostoso balançou a cortina laranja da pequena varanda chamando- me a atenção para o interior que tinha dois quartos e um ambiente multiuso: Sala de estar, cozinha e um banheiro. Tudo pequeno, no entanto aconchegante.
Fui tomar um banho enquanto Roberta pedia um Bentooya, comida típica basicamente feita de arroz, peixe, carne e verduras.
- Hum! Delícia!
-Roberta, trouxe algo para você.
-O que? – Os olhos curiosos
Levantei-me da pequena mesa de dois lugares da apertada cozinha, e tirei da mala umas fotografias postas em molduras de madeira.
-Veja!
-Meu Deus! São nossos amigos! Onde você conseguiu?
-Fui à nossa velha cidade no último final de semana lembra?
-Então você esteve com eles... Nossa que saudade!
-Todos nos desejaram muita sorte.
-Você falou sobre o Michael?
-Não. Certamente me chamariam de louca como sempre fizeram.
-Você está certa. Deixe as coisas acontecerem. -Roberta continuou- E os seus pais?
- Ficaram um pouco decepcionados por conta do natal, mas no final compreenderam.
-Sinto tanta falta dos meus. Depois daquele acidente...
-Beta, não precisa falar sobre isso, se não quiser.
-Tudo bem, preciso me conformar de que não estão mais aqui, já faz muito tempo.
-Onde quer que estejam, certamente estão orgulhosos por você.
-Bem, já chega dessa conversa triste. Venha, também tenho um presente para você. - Disse sorrindo enquanto enxugava as lágrimas do rosto, levantando-se da cadeira em direção ao seu quarto. Eu a acompanhei.
Fiquei observando enquanto tirava do armário uma elegante caixa dourada.
-Comprei há uns dois meses quando fui para Osaka com Jermanie. Sempre acreditei que você viria.
-Oh! Roberta.
-Vamos! Experimente!- Exclamou ansiosa.
- É lindo. Obrigada!
-Sabia que iria gostar. É sua cara.
Enquanto apreciava o quimono verde de seda cair sobre o meu corpo, refletia em frente ao espelho:
-Não sou o tipo de mulher que atrairia um homem como Michael.
-Como pode ter tanta certeza?
-Espero que o Jermanie não tenha criado falsas expectativas.
-Acredito que não. Definitivamente sabe o que está fazendo.
-Espero que sim.
-Não se preocupe. Logo irá descobrir.
O comentário da Roberta fez o meu coração disparar. Senti um frio na barriga.-Disfarcei.
-Roberta. O que exatamente você faz na Sony? Por que o Jermanie levou-a para lá?
Sentamos na varanda e ela começou a explicar.
-Eu trabalhava numa concorrente e o Jermanie precisava de alguém sensível e que gostasse do Michael.
-E como ele soube disso?
-Quando começaram a noticiar sobre as turnês, há uns três meses mais ou menos, eu falei para ele da nossa adolescência, das loucuras que fizemos por causa do Michael, enfim. Daí surgiu essa oportunidade. Eu vou trabalhar acompanhando diretamente a venda do material de divulgação como suvenires, bonés e camisetas, enquanto o Jermanie controla de perto a propaganda pelos meios de comunicação.
-De quem foi a idéia de começar a turnê pelo Japão e não pelos Estados unidos?
-Do próprio Michael, apoiado pelo Peter.
-Quem é Peter?
-O seu empresário. Nós o apelidamos “Poderoso Chefão”, devido ao jeitão meio rude de ser. Mas parece que a parceria entre eles ”profissionalmente”, tem dado certo.
-Quando diz “profissionalmente”, o que quer dizer?
-Há boatos de que Peter também quer controlar a vida pessoal do Michael. Mas sabe como é, por enquanto, são apenas boatos.
Fiquei parada por alguns segundos, pensando nas palavras da Roberta.
-Cris?!
-Ainda não consigo enxergar onde me encaixo nessa história toda.
-Aos poucos tudo se ajustará naturalmente.
-Não sei não. Ainda não me sinto segura.
-Qual o problema? Você sempre tirou o máximo proveito de tudo. E sabe disso. É um de seus encantos.
-Mas não com os homens. Sinto-me amedrontada.
-Não pense nisso. Apenas veja como mais um desafio, você já enfrentou inúmeros com sucesso. Honestamente -Roberta continuou- Que tipo de problemas poderá lhe trazer esta doce aventura?
Parei diante do comentário sério da Roberta.
Se enfrentar alguma dificuldade, deixe-se guiar pelo coração. Ele dirá o caminho que deverá seguir. Garanto que será um sucesso.
Cobrindo a boca com a mão, Roberta bocejou de maneira ruidosa. Depois levantou-se empurrando a cadeira para trás.
-Estou exausta. Para mim chega. Hora de ir para a cama. Boa noite Cris! Durma bem. - E avisou- Não fique intrigada com isso... Apenas aproveite, esse momento é seu.
-Sorri. -Pode apagar a luz, por favor?
-Claro!
-Obrigada.
Sozinha no escuro fiquei refletindo sobre as palavras casuais da Roberta. Talvez devesse mesmo aproveitar e me aproximar de um homem finalmente, afinal de contas já estava mais do que na hora. ”Será que... Um romance... Não, não, é muita pretensão Cris, não seja ridícula!”- Chutei-me em pensamento.
Levantei-me do chão esticando-me como uma gata preguiçosa. A vista agora iluminada pela noite daquele lugar esbanjava vida e animação no meio de uma overdose de placas luminosas e outdoors hipnotizantes. Simplesmente deslumbrante.
Liguei para os meus pais, tomei um copo d’água e tentei adormecer, o que não foi fácil, creio que pela diferença de fuso horário ou ainda pela convicção que em poucos dias conheceria o meu grande ídolo.



CAP 7


Estava mais descansada .
-Nossa! –Exclamei assustada quando vi no relógio que já passava das onze horas da manhã.
No banheiro e encontrei um bilhete da Roberta no espelho: ”-Fui trabalhar, aproveite para dar uma volta. Beijos”
Arrumei as coisas no armário, tomei um banho e desci para conhecer a vizinhança.
-Bom dia! -Cumprimentou-me o simpático porteiro de olhos pequenos.
-Bom dia!
Caminhei alguns quarteirões e entrei em algumas ruas vizinhas muito charmosas. Lá, casinhas de madeira da antiga Tóquio ainda são preservadas.
Saindo desse refúgio encantador que mais parecia outra cidade, uma música estridente me chamou a atenção. Um grupo de homens japoneses com seus tradicionais quimonos apresentava uma típica dança oriental, em uma praça enfeitada por cerejeiras amarelas.
Mais adiante foi interessante cruzar com aqueles rostos de expressão pálida, andando apressados pelas largas calçadas, na maioria das vezes falando ao celular e ditando moda desde os seus mais clássicos quimonos aos arrojados estilos de dolls, coplays e grifados. Um verdadeiro desfile de roupas e design.
Eu me senti um ser estranho nesse ninho de luzes, cores e sons, muitos sons.
Andar pelas ruas de Tóquio, é degustar uma estética de uma cidade high teck, com prédios de construção avançada e ao mesmo tempo antigos, um equilíbrio charmoso entre tecnologia e tradição onde consegue ser ocidental, mas também extremamente japonesa.
Voltando, descobri botecos, complexos, seus templos e parques. Vi de perto suas diferentes formas.
Após algumas horas de caminhada estava cansada, e resolvi parar em uma das esquinas para saborear um Gyudon, uma espécie de fast food, preparado na hora e na minha frente.
Enquanto comia, aproveitei para arriscar o meu novo idioma, conversando com alguns “salary men”, que são trabalhadores comuns aqui no Japão e que estavam em sua hora de almoço.

Mais tarde, estava tentando tirar um cochilo, quando fui surpreendida pela súbita chegada da Roberta.
-Oi, está tudo bem? Perguntei enquanto tentava me ajeitar sobre o sofá.
- Mais ou menos. -A expressão desapontada e séria, jogando a bolsa sobre a mesa.
-Aconteceu alguma coisa?
-Digamos que não aconteceu! –Disse sentando-se ao meu lado.
-O que?
-O Michael não apareceu na sua própria coletiva de imprensa! Mandou o assessor.
-E você já descobriu por quê?
-Ele estava na “Disneylândia Japonesa.” Um evento fechado para cinquenta pessoas.
-Hum! Bem mais divertido!- Disse, achando graça no que Michael havia feito.
-Cris é sério! Essa atitude dele não ajuda o nosso trabalho. Precisamos convencer os empresários envolvidos que começar em terras ocidentais não é apenas um ensaio e sim uma turnê de verdade, entende?
-Eu não o conheço, mas saberá convencer qualquer um de qualquer coisa.
-Espero que estas não sejam apenas palavras de uma mulher apaixonada.
-Tenha certeza que não.
-Acho que preciso descansar um pouco.
-Quer comer alguma coisa?
-Não. Obrigada. Tenho um jantar mais tarde.
-Está bem.
Momentos depois, Roberta reaparece na sala maquiada, penteada, com sapatos de saltos bem finos e um lindo vestido de festa.
-Como estou?
-Uau! Posso saber com quem a senhora vai jantar linda desse jeito?
-Com o Jermanie. Na verdade vou acompanhá-lo em uma reunião de negócios. Quer vir junto?
Não querida. Obrigada. Vou ficar por aqui e aproveitar para ler um livro que comprei hoje à tarde.
-Estava tão atordoada que nem perguntei como foi o seu passeio.
-Adorei! Tóquio é mesmo uma megalópole impressionante.
-Concordo plenamente.
O telefone celular dela tocou. Com um gesto aprimorado pela prática constante, atendeu ao chamado. Depois de alguns segundos, Roberta recusa gentilmente um convite para sair.
-Não obrigada. Sinto muito, mas hoje já tenho outro compromisso. Não, não é exatamente uma festa. –Houve uma pausa. -Na verdade, acho que estarei ocupada pelos próximos três meses. Roberta se despediu após alguns comentários superficiais e antes de desligar o telefone e colocá-lo na bolsa de mão, ela o desligou.
Acompanhei tudo com olhar perplexo. Jamais podia imaginar que Roberta, a rainha das festas, se isolaria deliberadamente de seu mundo de glamour social. De fato tornou-se obsessiva por trabalho.
-Gostei de ver. Agora assumiu mesmo o papel de mulher de negócios.
-E esta noite é só o começo!
Um sorriso satisfeito distendeu seus lábios coloridos pelo batom vermelho- escarlate.
O interfone tocou.
Roberta encaminhou-se para a porta. -Tem certeza que não quer ir?
-Absoluta. Vá e dance sobre algumas mesas por mim. Roberta sorriu e se foi.
Tomei um chá e fui ler meu romance de Gengi me distraindo às vezes com pensamentos sobre Michel. Era impossível não pensar nele lendo algo tão profundo. E fiquei assim dividida por alguns momentos até adormecer.
De manhã, levantei-me e encontrei a Roberta na cozinha lendo um jornal enquanto saboreava uma tigela de cereais com leite. A expressão dela estava bastante animada.
-Nem preciso perguntar como foi o jantar.
-Senta. Eu vou contar.
-Estou surpresa com a vendagem dos produtos de promoção. A velocidade é excepcional. Em um mês vendemos o que estava programado para um trimestre! O Michael e o Peter estão controlando tudo pessoalmente e estão muito satisfeitos.
-Que bom saber que os resultados não foram afetados pela sua atitude, digamos “infantil” quando trocou a coletiva por um parque de diversões.
-É. Você tem razão. Além disso, não tem idéia do quanto ele está se tornando uma exceção absoluta no Japão. Nenhum artista japonês, cantando em japonês conseguiria isso. – Afirmou enquanto ajeitava a jaqueta que levava sobre o braço e dando um último gole no café.
-Acho que vou aproveitar o dia para ir até a faculdade. Tem alguma sugestão?
-Vá de metrô. É a melhor opção para ir até lá, limpo, rápido e barato. Mas não se esqueça de pegar um mapa na portaria. Temo que possa precisar. As ruas aqui são muito mal sinalizadas. E cuidado. Se ficar em apuros ligue para mim à cobrar.
-Preciso providenciar um celular.
-Faça isso o mais rápido possível. Até mais tarde.
-Até mais.


CAP 8

Peguei o mapa. O homem me deu uma pilha de papéis cujo idioma japonês, eu dominava muito pouco. Mesmo assim dava para me orientar, pelo menos até a estação.
Chegando lá fui surpreendida pelo frenesi de pessoas e o barulho dos alto-falantes gigantes que anunciavam a cada partida do metrô. Meio confusa fiquei atenta as linhas do trem que eram indicadas por cores e números. Tudo acontecendo muito rápido.
Finalmente estava em Nakano, subúrbio de Tóquio.
A universidade ficava a poucos metros dali, o que era facilmente possível constatar, pois o seu portão
principal o famoso Akamon, de um vermelho vivo e imponente, era sobressalente numa paisagem de um verde deslumbrante e coloridas flores debruçadas sobre as inúmeras cerejeiras. Um cenário magnífico.
O Prédio que abrigava as salas de aula e toda a parte administrativa, era de uma construção tradicional, como são as grandes universidades na Europa. Tinha tijolos à mostra e um enorme relógio na entrada.
Na secretaria, entreguei meus documentos, fiz a matrícula no curso de administração e fui levada por Seiko, um estudante morador dali, para conhecer o lugar onde passaria os próximos quatro anos da minha vida. Ele era nativo e os seus pais estavam morando no Japão definitivamente após um longo período fora do país.
Depois de conversarmos um pouco, descobri que poderia fazer curso de língua japonesa e trabalhar no campus até o início das aulas. –Ótimo. Obrigada pela dica. A gente se vê por aí!
Saí dali muito feliz. Estava começando a gostar da idéia de estar em um novo e tão diferente lugar.
Um pouco mais segura, arrisquei-me e desci uma estação antes para conhecer o Templo Meiji.
Chovia um pouco, e pude observar o quanto os guarda-chuvas coloridos enfeitavam as ruas estreitas daquele bairro.
Ao deparar-me com o Monumento Xinoísta, envolvido por uma vasta flortesta e complexos de prédios rodeados de belos jardins, curti a atmosfera religiosa impregnada de incenso. Centenas de pessoas deixavam seus pedidos, em papéis que posteriormente eram amarrados em arames que estavam ali para este fim. Também fiz o meu pedido e comprei um amuleto da sorte, queria estar protegida de todas as maneiras.
Curiosamente do outro lado, cerimônias de casamento estavam acontecendo simultaneamente. É uma tradição antiga aqui.

Com certeza estava mais leve, quando cheguei em casa e encontrei a Roberta falando ao telefone.
-A Cris acabou de chegar. Falamo-nos depois. Beijos!
-Oi Beta, era o Jermanie?
-Era sim.
-Estou gostando do seu tom animado. O que aconteceu?
-Amiga, amanhã será o nosso primeiro encontro com Michael Jackson! – Parei diante dela com o olhar aturdido. – Tudo bem. Vamos com calma. Como assim “nosso primeiro encontro?!”
-É... Será uma mistura de boas vindas e lançamento dos “Michael’s Pet no Japão.
-Michael, o quê?
-Michael’s Pet. São réplicas perfeitas dos animais de estimação que vivem com ele na sua mansão em Los Angeles.Serão distribuídos para algumas crianças num evento particular para umas cem pessoas.E nós fomos convidadas.-Disse sorrindo, levantando-se do velho sofá em um salto.
-Então será amanhã! –Exclamei. O cenho franzido traindo curiosidade e apreensão.
-Por que está com esta cara?-Perguntou-me gentilmente, e continuou. -Pensei que ficaria feliz.
-Não é isso. É que de repente... Tive a impressão de que estou no Conto-de-Fadas errado.
-Amiga, os Contos-de-Fadas são assim mesmo.
-O fato é que em breve estarei diante dele e não tenho nenhuma estratégia para lidar com isso.
-E quem disse que você precisa de estratégias para conhecê-lo?A situação é realmente inusitada, mas acalme, tudo dará certo. Eu e o Jermanie estaremos lá com você.
Respirei fundo. - Você está certa. Estou com medo, mas confesso que estou louca para viver esta aventura.
Como eu poderia resistir a tudo isso? Estava à apenas algumas horas de conhecer o único homem que povoou os meus pensamentos mais insanos durante toda a minha adolescência.
Roberta dirigiu-se para a cozinha, pegou a cafeteira que estava sobre o balcão e comentou:
-Vai ter que relaxar se quiser aproveitar o momento.
-Ah! Bem... Prometo que vou tentar!
Roberta sorriu. - Quer um café?
-Sim.
Ela voltou para a sala com duas xícaras da bebida bem forte enquanto continuávamos aquela agradável conversa por algumas horas.
-Bem. Acho que vou me deitar. Boa noite Cris! Durma com os anjos.
-Boa noite!

Cap 9

Ainda era cedo, mas o sol entrava pela janela anunciando mais um dia perfeito em Tóquio.
Sentindo-me inexplicavelmente nervosa, olhei-me no espelho. ”tudo dará certo. Definitivamente”-Pensei.
Entrei na cozinha e o sorriso da Roberta foi a primeira coisa que vi.
-Dormiu bem?-Perguntei, sentando-me ao seu lado.
-Muito bem. E você?
-Parece que não fechei os olhos à noite toda. Devo estar uma beleza.
-Não. Você está linda. - Disse entusiasmada. -Vamos. Precisamos nos apressar, o Jermanie nos pegará em alguns minutos.
Um banho rápido, um encontro com o secador. Adepta à cara lavada, apenas dei uma última olhada no espelho para conferir o brilho labial.
-Ok. Estou pronta, podemos ir.
-Ótimo. O Jermanie já está lá embaixo.
Enquanto olhava através da janela do carro, fiquei imaginando como seria aquele encontro. O impacto de nossos olhares, o toque das mãos... O pensamento me arrancou um breve sorriso ”acho que será divertido”.
-Falando sozinha Cris?- Provocou Jermanie ao volante.
-Estou apenas pensando alto. - Respondi, disfarçando o acanhamento.
-Chegamos.
-Meu coração disparou quando paramos em frente ao prédio do luxuoso Hotel Capital Tóquio, curiosamente onde Michael também estava hospedado. De repente minhas velhas inseguranças voltaram fazendo-me sentir inadequada.
-O que houve?-Perguntou Roberta percebendo minha inquietação.
-Este lugar não combina comigo.
-Considere isso irrelevante. Essa certamente não é a parte mais importante.
Como uma adolescente, fiz uma careta, mas havia um pequeno sorriso atrás da mesma.
- Pronta para entrar?
-Não tão pronta quanto queria estar, mas...
O casal ficou ao meu lado, e isto me ajudou a vencer o impulso de quase fugir dali.
Subimos ao imenso salão cuja festa já estava acontecendo. Apertei com força o braço da Roberta. -Hei! A conversa lá embaixo não adiantou nada?
Meneei a cabeça vigorosamente, apertando os olhos... E ainda nem tinha visto o Michael.
Paramos em frente à entrada, eu tentando esconder-me atrás de uma coluna. Observei o movimento e verifiquei que a imprensa não estava presente. Procurando-o, buscando-o... Lá estava ele.
Ao vê-lo sorrir para aquelas crianças, senti o meu estômago dar um salto engraçado. A expressão feliz e o carinho era encantador. Atraída pelo conjunto, saí lentamente do meu esconderijo para saborear melhor a doce cena. “Tudo bem” havia algo de muito atraente em um homem como ele, rodeado de crianças e sorrindo como se fosse uma delas. - Admiti para mim mesma. -Especialmente se este homem sensual era alguém por quem eu estava fascinada. Respirei fundo.
Mas, apesar dos meus bem vividos vinte e dois anos, aquela situação ainda continuava sendo muito, muito alheia a qualquer uma de minhas experiências.
Alguns minutos depois, Michael levantou-se, e notando nossa presença aproximou-se.
Desesperada, sem me dar conta do que estava fazendo, apertei a alça da minha bolsinha de lantejoulas, tremendo com a idéia de tê-lo tão próximo. Inutilmente, tentei fazer um ar desinteressado.
-E então, Michael. Como você está?-Perguntou Jermanie com um largo sorriso e um abraço apertado.
-Estou bem. E você? Quanto tempo! Não nos vimos desde que cheguei.
-Trabalhar nesta turnê tem tomado todo o meu tempo.
-Mas graças ao esforço de vocês tudo tem dado muito certo.
-Para um amigo como você, não há esforço algum, mas é sim um grande privilégio.
-Obrigado.
-Bem, deixe-me apresentar minha namorada. Roberta.
-Prazer em conhecê-la Roberta.
-O prazer é todo meu.
-Esta é a...
-Cris... –Disse, interrompendo o Jermanie no meio da frase pegou minha mão e abaixou-se para beijá-la num gesto antiquado.
Por um momento desejei que não me tocasse temendo que percebesse o quanto suava frio.
-Encantado. O Jermanie havia me falado sobre você. Estava ansioso por conhecê-la.


continuaaa...

9 Re: inverno em tóquio 1º parte em Seg Fev 07, 2011 1:02 pm

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continua....

10 Re: inverno em tóquio 1º parte em Seg Fev 07, 2011 6:09 pm

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11 INVERNO EM TOQUIO (1° PARTE) em Seg Fev 07, 2011 7:06 pm

intercris


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Cap 10

Engoli em seco. O olhar era intenso e silencioso. Estava mobilizada diante daquele homem com 1,80 de altura, ombros largos, pernas longas, um sorriso deslumbrante, cabelos e olhos negros como o ébano, me olhando fixamente e com um delicioso aroma de baunilha que me deixou positivamente tonta.
-Bem. Acho melhor dar-mos uma volta. - Disse Jermanie literalmente arrebatando a namorada pela cintura, saindo sorrateiramente.
Meus olhos dobraram de tamanho. Tentei não fitá-lo. Não queria que percebesse o meu embaraço.
Tentando quebrar o gelo, ele perguntou meio sem graça:
- Você está gostando da festa?
-Sim. Está realmente muito bonita. –Respondi com voz trêmula.
-Aceita um refresco? Não tem álcool. – Perguntou enviando-me o seu mais perigoso sorriso.
-Por favor. -Implorei
-Beba um pouco. Irá sentir-se melhor. Michael sabia o quanto me perturbava. E achava aquilo engraçado.
-Dei um gole no líquido que desceu por minha garganta desatando os nós e me dando um prazer inesperado. Enquanto bebia, ele me observava.
-É bom?
-Humm, humm – Murmurei.
Meu jeito tímido parecia chamar ainda mais a sua atenção. Ele tentava não me olhar fixamente, mas havia algo sobre mim que atraía demais o seu olhar.
Eu não era bonita no sentido clássico da palavra. Com um cabelo fininho quase loiro na altura dos ombros, o rosto expressivo sem um pingo de maquiagem, olhos castanhos que pareciam ter visto mais do que uma pequena quantidade de problemas. Quanto ao corpo, o pouco que podia ver sob o vestido verde de viscose na altura dos joelhos e um decote V, ele não podia julgar.
Tudo bem. Não podia ver muito de mim, mas de alguma maneira o meu estilo simples capturava a sua atenção. Achei aquilo particularmente estranho porque, no geral, estava sempre acompanhado de mulheres vestidas com elegância. A maioria de suas conhecidas preferia cores clássicas e jóias caras.
-O Jermanie me falou que você ganhou uma bolsa para estudar no Japão.
-Disse é ? Sim, é verdade. Era um sonho antigo vir para cá... E... Essas coisas.
-Achei surpreendente.
O tom animado dele me fez esconder um sorriso atrás da taça.
-O que pode ser assim tão surpreendente?
-A sua coragem de atravessar o mundo para estudar numa cultura tão diferente da sua!
-Você acha? -Perguntei surpresa.
-Quando o Jermanie me falou dos seus planos, fiquei imediatamente fascinado pela sua história. E agora por você.
Eu sorri. O sorriso significativo e ingênuo o tocou. O meu espírito aventureiro o atraía. E pelo seu olhar também o excitava.
Trocamos olhares. O dele provocativo. O meu assustado.
-Quer mais refresco?
-Não. Obrigada.
Então ele tirou a taça vazia de minha mão. O calor da minha pele o deteve instantaneamente. Um gesto bem intencionado e inesperadamente sensual.
Fascinado. Não havia outra palavra para descrever seu estado. E Michael sustentou aquele olhar doce e maroto, mordendo os lábios levemente.
Eu o estudei, olhando para os seus cabelos pretos e um pouco longos demais, caindo sobre o colarinho da camisa vermelha, notando como o tecido moldava-lhe o peito, e em seguida olhando mais para baixo, onde uma calça preta cobria pernas longas e levemente torneadas. Tudo isso só me fez ter a certeza de que Michael era um homem capaz de fazer qualquer mulher perder o bom senso.
Lindo, solteiro, sexy... E por causa desse conjunto de características impressionantes, por um breve momento quase joguei a cautela pela janela, dando um passo a frente.
-Não é o suficiente. -Murmurou como se adivinhasse os meus pensamentos. Em seguida ele também deu um passo à frente, reduzindo à distância que ainda nos separava.
“Não faça isso!” Michael ordenou a si mesmo.
Queria beijá-lo. E ele parecia interessado em beijar-me.
De repente, o rufar de um tambor soa alto trazendo-nos a realidade. Fazendo-nos perceber a tempo que o local não era apropriado para aquele beijo.
-Não me tente desse jeito. -As palavras saíram num misto de tensão, vergonha e choque.
-Bem, me desculpe eu não queria incomodá-la. –Disparou aflito com uma voz profunda. Seu súbito embaraço quando quase me beijou o fez recuar apressado.
-Eu... Hum... Vejo você por aí. – Respondi enquanto saí para atravessar o salão em dois segundos parando do outro lado, tentando fazer de contas que nada havia acontecido.
Surpreendentemente, surgem japonesas vestidas com os mais coloridos e preciosos quimonos de seda, rodopiando como girassóis suas sombrinhas, dando ao lugar um toque ainda mais oriental.
A Roberta então aproxima-se e faz um comentário óbvio e intrigante:
-Amor à primeira vista... Veja! Ele não tira os olhos de você.
Não me movi. Não podia. Tentei, mas os pés pareciam enraizados no lugar. E eu observava aquele deus grego que emergia por trás daquelas bailarinas, enviando-me um sorriso tão fascinante que era capaz de fazer qualquer mulher enlouquecer. E eu deveria mesmo ter enlouquecido. A mudança de fuso horário certamente afetou o meu cérebro. Não poderia estar me apaixonando por ele.
O efeito da dança ao som da música inspiradora e a expressão alegre demonstrada apenas pelo olhar no rosto carregado de maquiagem daquelas gueixas, era brilhante, bonito e convidativo. No entanto, a emoção que eu sentia naquele momento mais tinha haver com o homem parado do outro lado do salão com um sorriso estranhamente vulnerável em sua boca exuberante.
Enquanto a apresentação chegava ao fim, o Jermanie vai ao encontro de Michael e os dois trocam algumas palavras e em seguida caminham em nossa direção.
Oh, meu Deus! Roberta, ele está voltando.
-Calma amiga, ele não vai te morder... Pelo menos aqui não!
-Engraçadinha... –Repliquei
-Meninas! O Michael quer fazer um convite irrecusável.
-Gostaria de convidá-los para jantar, hoje à noite, que tal?
-Uh! Irrecusável mesmo. É claro que... – Imediatamente, interrompi a Roberta dando-lhe uma sutil cotovelada.
-O que você me diz Cris?
Não podia recusar embora essa fosse a atitude mais sensata.
-Tudo bem. -Respondi relutante.
-Ótimo. Encontramo-nos às 19h.
Sentindo o coração bater ainda mais depressa, ergui o queixo e tentei segurar aquele olhar persistente. Pelo espaço de alguns segundos nenhum dos dois disse nada. Nem eu. Nem Michael.
Havia uma ligação entre nós, uma conexão que era densa e ardente, muito significativa para um primeiro encontro. Mas havia também um sentimento carregado pela certeza de que estávamos encrencados. E as coisas certamente ficariam ainda piores. Quanto mais tempo juntos, maior seria a encrenca.
-Preciso voltar lá e me despedir das crianças. Algumas já deram falta de mim.
-Temo que não sejam só elas que sentem sua falta. -Disse percebendo que alguns convidados nos olhavam curiosos enquanto conversávamos num canto do salão.
Michael sorriu. – Até mais tarde.
“Droga”... Só um idiota chegava tão perto de provar o fruto proibido. E não o faria.
-Pensou.


CAP 11


Nunca tinha gostado de maquiagem. Mas a ocasião pedia uma máscara de confiança. E se base, sombra azul, rímel e um batom clarinho me ajudassem a sentir mais segura e diminuir o meu nervosismo, usaria.
Quando o interfone tocou, levei um choque que percorreu todo o meu corpo. Pronto. Sentia tudo de novo.
-É o Jermanie. Vamos?
Apenas assenti e a acompanhei até a... Limusine?!
Ficamos surpresas paradas em frente ao luxuoso automóvel.
O Jermanie estava em pé encostado no carro, com os braços cruzados e o polegar batendo vigorosamente contra o seu bíceps.
-Jermanie, não me diga que...
-Gostaram da surpresa?
- Mas, de quem foi essa idéia maluca? E se alguém o reconhece?
-Calma, Roberta, o Michael sabe o que está fazendo.
Respirei fundo. A atitude dele me fez sentir mais segura.
Todavia, no minuto em que Jermanie abriu a porta e vi Michael usando um lindo terno cinza, com o seu sorriso sexy, soube que nada relacionado àquela noite seria fácil. Meu coração disparou loucamente só de vê-lo.

-Uau, você está linda.

A porta se fechou, bloqueando os sons da movimentada avenida e ele me pegou a mão. A voz era suave como uma carícia e eu tremi encantada que podia evocar uma reação daquela num homem como Michael.
-O vestido é clássico. – Disse em uma observação absolutamente tola, como se Michael estivesse interessado no meu vestido.
-Combina com você.
Fiquei parada no lugar, a mão na dele, gostando muito do contato físico.
Finalmente ele liberou a mão para cumprimentar a Roberta e voltou em seguida deslizando a palma sobre o vestido de seda que caía sobre o meu corpo.
O toque me fez perder o fôlego. Especialmente por vim de um homem parado tão perto e com um aroma de um sonho se transformando em realidade.
Ele aproximou-se ainda mais de mim. Nossas roupas se tocaram o vermelho vibrante e o cinza discreto. Levantei os olhos e a intimidade sensual ganhou força, expandindo-se como uma teia que nos envolvia e imobilizava. Uma corrente elétrica nos percorria da cabeça aos pés. E esta energia tão intensa e incontrolável só sentíamos quando estávamos perto um do outro.
-Chegamos. -Anunciou Jermanie, quando o carro parou numa rua arborizada e completamente deserta.
O restaurante japonês era bem bonito e sumamente estiloso.
Um homem de quimono preto abriu nossa porta e na entrada um simpático recepcionista nos aguardava. O lugar já havia sido reservado. Então ele nos conduziu para dentro até as mesas que ficavam sob o refúgio escuro de uma iluminação suave
Michael, o portador da tentação que me consumia, puxou-me a cadeira ao seu lado esquerdo enquanto um sorriso perigoso distendia os seus lábios. O Jermanie e a Roberta sentaram-se diante de nós.
-Nossa! Que lugar maravilhoso. -Disse Roberta enquanto observava ao redor.
-Pedi que o Jermanie escolhesse um lugar especial para esta noite. Confio no seu bom gosto. -Respondeu enquanto olhava para mim.
-Este lugar é freqüentado por importantes empresários que querem fugir das multidões do Midtown. Aqui se fecham grandes negócios. -Disse Jermanie
-Mas... Não há mais ninguém além de nós! -Perguntei
-Foi esta a intenção. -Explicou Michael
-Ah! - Exclamei com a expressão de alguém que havia perguntado o óbvio.
-Bem. Eu sou vegetariano. Gostariam de dar uma olhada no cardápio ou preferem me acompanhar?
-Acho que acompanhá-lo será uma ótima idéia.
-Por mim tudo bem.
-Jermanie?
-Cara, vai em frente!
O chefe anotou o pedido do sushi vegetariano e saiu.
- Michael, você está se tornando uma exceção absoluta aqui no Japão. Vem atraindo todas as faixas etárias de público. -Disse Roberta entusiasmada.
-Os japoneses até já encontraram um apelido para você: “O Tufão Michael”! -Completou Jermanie, com a mesma empolgação. - E continuou- “Who’s Bad? Wo’s Bad?” tentando imitar o amigo com um pequeno falsete na voz.
Todos acharam graça da brincadeira do Jermanie e o clima continuou assim durante aqueles momentos preciosos.
-A divulgação da Sony é importante, mas você sabe que é um parceiro muito especial.
-Prefiro dizer que todo o sucesso é resultado de uma grande parceria.
-Sem dúvida alguma.
Enquanto a conversa rolava, eu estava cada vez mais fascinada diante do indiscutível encanto de Michael. Uma perfeita mistura de criança tímida e inteligentíssimo homem de negócios.
Servimo-nos do prato praticamente artístico, preparado cuidadosamente apenas com legumes frescos. A iguaria não tinha nem mesmo peixe, no entanto o chefe foi cauteloso e tornou o fato extremamente irrelevante. Uma delícia. Michael continuava me surpreendendo.
Por algumas vezes sorri para tentar esconder o quanto me perturbava. Mas ele gostava de olhar para mim. Gostava muito. Demais.
Ainda descontraídos pelo momento, dispostos a continuar ali um pouco mais, inesperadamente fomos surpreendidos com toque do celular de Michael e ele relutante, vê quem é, mas infelizmente não tem outra opção a não ser atender.
-Oi Peter. Pode falar.
Após alguns minutos, ele responde com um breve suspiro, visivelmente decepcionado:
-Esta bem. Estarei aí em trinta minutos.
Quando volta, a primeira coisa que ele encontra é o meu olhar frustrado.
-Bem, terei que ir embora. Surgiu um compromisso de última hora com o meu empresário.
-Não se preocupe Michael eu levarei as garotas para casa.
-Obrigado.
Mas pela expressão constrangida aquele não era o único problema.
-Cris, me perdoe por ter que sair assim. -Falou delicadamente tocando o meu rosto com imenso carinho.
Ele permaneceu assim por alguns segundos quase não resistindo ao impulso de ficar um pouco mais. Eu deveria deixá-lo ir, sabia disso. Tanto quanto ele.
Incapaz de mover-se embora devesse sair dali, Michael perguntou-me com esperança nos olhos:
-Vou poder vê-la novamente?
-Claro. Amanhã no show.
-Perfeito. Depois combinamos alguma coisa, nem que para isso tenha que usar um disfarce.
-Está bem. Cuidarei para que isto não seja necessário.
-Até amanhã.
-Até amanhã.
E por mais que gostasse de estar ali, embora não tivesse mais tempo, finalmente despediu-se e deu-me um beijo demorado no rosto, tentando prolongar o momento.
Despediu-se rapidamente do Jermanie e da Roberta e se foi. Fiquei parada saboreando a amplitude dos passos fortes e apressados. Prendi o fôlego e desejei ir com ele. Mas sentei-me num suspiro mais que profundo.
Enquanto me recuperava, não me dei conta de que o Jermanie e a Roberta me olhavam aturdidos.
-Não posso acreditar no que vi aqui. Você e o Michael estão apaixonados! –Exclamou ela. As duas mãos na boca, as sobrancelhas arqueadas.
-Pena que ele recebeu um chamado de última hora. -Lamentou Jermanie.
Para mim a noite deixou de ser significativa no momento em que o ele se foi.
Fui dormir pensativa tendo que apelar para a sobrevivência dos mais resistentes. Estava sendo privada de meus sentimentos mais uma vez. A vontade de tocá-lo e estar com ele por quanto tempo fosse necessário, aumentava a cada minuto.


CAP 12

Às 18h do da tarde seguinte, o estádio que ficava em Korakirem, estava totalmente lotado. Sentamos na primeira fileira reservada a imprensa e ao nosso lado também a filha do Imperador.
Em poucos minutos eu iria vê-lo dançar só para mim, segundo havia me prometido numa ligação mais cedo.
De repente, um rufar surdo eletrônico anuncia que o show já vai começar. Meninas começam a gritar, senhoras de quimono sobem nas frágeis cadeiras de dobrar.
Michael então surge no centro do palco cercado por sua banda. O visual dele era muito excitante. De preto e brilhos, rabo-de-cavalo, muito sedutor com uma postura muito sensual. E a beleza única, fascinante, avassaladora.

As mocinhas gritavam muito cada vez que ele insinuava passar a mão no ...
Não era mesmo uma tarefa fácil observá-lo sem desejá-lo. Não se quisesse me manter distante, o que seria saudável levando em conta o meu equilíbrio mental e livre de tentações, o que seria racional, para dizer o mínimo. Executar os movimentos que ele estava fazendo dentro daquela roupa justa colada ao seu corpo, especialmente daquele jeito insinuante de dançar, devia ser considerado um ato ilegal. E eu deveria ser presa para garantir a minha própria segurança, por me deixar desfrutar daquela tentadora visão.
Os movimentos alucinantes do seu corpo provocavam em mim pensamentos eróticos e muito perigosos.
Após noventa minutos de puro deleite, ainda tentando controlar a carência, a emoção e o desespero, pisquei como alguém que desperta de um sonho profundo e muito longo. Respirei fundo como se quisesse superar o momento de fraqueza.
Toquei algumas palavras com a Roberta extremamente emocionada com a música, a dança, a voz de Michael... Mas as emoções ainda não tinham chegado ao seu patamar mais alto.
Um dos seguranças dele aproximou-se.
-A Srta. poderia me acompanhar? O Sr. Michael a aguarda em seu camarim.
-Jermanie?!
-Está tudo bem. Apenas o acompanhe. Vá. -Ordenou.
Fiquei meio assustada, mas algo me dizia que eu não iria me arrepender.
Caminhei mais do que depressa para tentar alcançar o grandalhão que andava a passos largos, sem ao menos olhar para trás.
Parada em frente a sua porta e ainda ofegante sem coragem até mesmo para respirar, pensei no quanto àquilo era loucura. Porém não tinha a menor importância, não enquanto a possibilidade de um novo encontro com ele estivesse ao meu alcance.
Empurrei a porta que estava entreaberta. Fui adentrando a passos lentos, quase flutuando. Ele estava de costas com as palmas sobre o móvel e me observava através do espelho. O olhar era envolvente. Ele me queria. Meu coração sabia disso e o meu corpo também. Era um reconhecimento instantâneo.
Pelo espaço de alguns segundos, apenas os nossos olhares falaram, e estavam cheios de desejo contido.
Ele virou-se e aproximou-se de mim com uma lentidão de enlouquecer.
Engoli em seco. Ele parecia tão... Tão bom! E soava tão perfeito! Queria tanto senti-lo e ele estava cada vez mais perto. Para ser mais precisa o meu nariz quase tocara o dele. Se Michael decidisse beijar-me, certamente não teria forças para fingir que ele não me afetava demais.
Sua boca estava cada vez mais perto, enquanto o seu rosto perfeito e seus olhos escuros pareciam me devorar.
O calor de sua boca alcançou a minha, precedendo o toque de meus lábios em um instante. Esperando... Necessitando... Eu me ergui na ponta dos pés, anulando os milímetros que ainda impediam o contato de nossos corpos. As bocas se encontraram limitando-se a um breve roçar que se estendeu por alguns segundos, fazendo-me ter a certeza de que aquela breve pausa indicava que o beijo ganharia profundidade. Então eu o segurei com mais força.
-Michael...


continuaaaa

12 Re: inverno em tóquio 1º parte em Qui Fev 17, 2011 4:19 pm

intercris


Colaborador
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CAP 13


De repente, batidas estrondosas na porta nos surpreenderam. Devagar Michael ergueu a cabeça.
-Inferno.
O encanto havia sido quebrado. Desapontada, deixei o salto tocar o carpete. As batidas se repetiam.
-Já vai. -Avisou Michael com a voz rouca. -Vou ver quem está lá fora.
Eu assenti. Vi quando ele me fitou com evidente relutância e passou uma das mãos pelos cabelos, chamando-me atenção para o formato alongado dos dedos e, lamentavelmente, para o fato de que aqueles dedos não traçariam sobre minha pele. Franzindo a testa, tentei não dar muita importância ao aspecto meio selvagem criado pelo gesto como se ele houvesse metido a cabeça num túnel de vento. A tentativa foi inútil. Mesmo despenteado e frustrado, Michael ainda era incrível.
-Bem, já que vai abrir a porta vou aproveitar para sair. -E esta seria uma alternativa muito mais segura para nós dois.
Caminhei na frente dele para perto da porta com passos apressados como se mil demônios me perseguissem. De certa forma havia mesmo um demônio atrás de mim, um diabo vestido em tons de preto e com fivelas, capaz de me fazer perder a cabeça por causa de um simples beijo.
Quando abre a porta, Michael depara-se com Peter, seu empresário “Mandachuva” que olhando com raiva para dar mais ênfase indagou com tom irritado:
-O que isso significa? O que esta garota está fazendo aqui?-A carranca aumentando a cada segundo.
-Ela... Ela já está de saída. –Respondeu Michael, segurando a maçaneta da porta.
Diante da sua resposta confusa, atravessei a porta lançando para ele um olhar atordoado e sem dizer uma palavra, simplesmente saí. Certamente viveria para me arrepender daquele momento.
-O que deu em você, ficou louco? Trazer fãs para o camarim, e sem me consultar?
-Idéia tola! Minha vida pessoal não tem nada haver com os meus negócios.
-Michael, não seja tolo você. Já conversamos sobre isso. Sem romances durante a turnê. -E continuou- Não vê que a maldita mulher é só uma mercenária exploradora que está armando para dar um bote?
Michael ficou tenso. Sabia que aquilo não era verdade.
-Acho que você já pode ir. Preciso me trocar. -Disse, ignorando o olhar interrogativo de Peter enquanto virou-se novamente para o espelho.
Os olhos do manipulador se estreitaram de maneira fria, assumindo uma expressão revoltada, como sempre fazia cada vez que Michael discordava dele desde que estavam juntos.
-Você assinou comigo um contrato de três anos. Não me faça dificultar as coisas para você. -Falou em tom de ameaça enquanto saia e batia a porta abruptamente.
Michael controlou a voz, reprimindo a vontade de gritar. Por um instante alguma coisa parecida com angústia brilhou em seu semblante triste diante do espelho. Não sabia como fazer para desfazer este grande mal entendido. Talvez não tivesse mais essa chance. Quem sabe recuar fosse a atitude mais sensata no momento?
-Droga!
Enquanto Michael vivia os seus dilemas eu tinha as minhas próprias convicções.
Estava confusa sobre o que aconteceu. Mas tinha certeza que queria sair dali o mais rápido possível e que não queria vê-lo nunca mais. Precisava me proteger dele. E pensava sobre isso percorrendo rapidamente o corredor estreito. Certamente o que aconteceu ali me mostrou o quanto eu estava errada quando pensei ser possível viver com ele um romance. - “idiota” Chutei-me em pensamento. Afinal de contas o que um homem como ele poderia querer com uma simples estudante estrangeira?
-Cris, o que aconteceu. você está chorando?
-Por favor, Roberta me tira daqui.
-Claro, só me diz se está tudo bem.
-Falo com você depois.
-Tudo bem. Vamos.
-Vai indo. Vou ver o que aconteceu. –Disse Jermanie preocupado.
Chegando em casa, a Roberta insistia em saber o que me afligira e me fizera chorar tanto durante todo o caminho.
-Então, quer falar sobre o assunto?Será que eu posso ajudar?
-Definitivamente, acabou a brincadeira.
-Como assim “acabou a brincadeira”? Ainda nem começou?!
-Acho que ele não está interessado como eu pensava.
-Cris, o que ele pode ter feito de tão grave?
-Não foi ele... Mas o Peter. Aquele monstro me fez sentir a pior mulher do mundo. Ele entrou no camarim e começou a gritar. Parecia cobrar algo.
-E o Michael.
-Praticamente me expulsou de lá.
-Eu não acredito.
-Agora você entende?
-Cris. Fica difícil conciliar o que você está me contando com o que meus olhos viram. Um homem completamente apaixonado!
-Esquece. – repliquei limpando as lágrimas dos olhos
-Eu não quero convencê-la de nada, mas, talvez essa foi a forma que ele encontrou no momento para se preservar. Mostrar para Peter que está interessado em alguém justo agora iniciando uma turnê, realmente traria para ele sérios problemas.
-Honestamente. Eu e Michael somos muito diferentes. Então porque insistiria neste complicado romance?
-Você o ama. -Argumentou Roberta.
-E daí. Não significa que tenha que viver em função disso. Ainda a tempo de sair dessa sem me machucar. Esquecê-lo ainda é a melhor opção.
-Será que você consegue?-Perguntou enquanto encaminhou-se para fora do quarto.
Engoli em seco, abraçada ao travesseiro. Pretendia fazer todo o esforço para resistir ao seu charme.
“Fácil.” Garanti para mim mesma. Afinal... Até que ponto um homem pode ser irresistível?


CAP.14


Passaram-se algumas semanas após aquele desagradável incidente. De certa forma eu já havia deixado de alimentar a esperança de que eu e Michael pudéssemos nos conhecer melhor. Determinada a pensar positivamente sobre meus projetos, Olhei para Roberta com uma expressão tranquilla, que só aparece nos rostos das pessoas que conseguem seguir seus planos à risca e atravessei a sala.
-Voltei a fazer aulas de japonês.
-Que legal Cris!-Pelo menos você tem algo para fazer até o início das aulas. -Disse, enquanto selecionava com marca texto artigos de uma revista de notícias. –E continuou- Puxa! Mais de trezentas mil pessoas assistiram show de Michael, no último final de semana em Osaka.
-Acho que o Peter deve estar muito feliz com os resultados. -Tentei não demonstrar interesse e caminhei para a cozinha encostando-me no balcão da pia.
-Droga!- Replicou Roberta a si mesma percebendo o meu comentário irônico e levantou-se num segundo para encontrar-me.
-Cris, eu não queria... Desculpe.
-Tudo bem Roberta. Reconheço que ainda sinto sua falta, mas... Logo, logo eu me acostumo. Aliás, nem aconteceu nada entre nós.
-Eu sei o quanto é difícil para você.
-Mesmo assim, não precisa se cercar de cuidados por minha causa. Afinal de contas falar sobre ele faz parte do seu trabalho.
-Quero convidá-la para ir comigo até a Epic Preciso entregar uns relatórios e depois podemos dar uma volta. Que tal?
-Acho que vou aceitar.
-O expediente hoje começa as dez, portanto quando estiver pronta poderemos ir.
-Estarei pronta em um segundo.
Minutos mais tarde já estávamos no elegante escritório.
No quinto andar, Entre a recepção bem decorada com piso de mármore, e a sala de espera que mantinha um sofá, uma maquina de café, porta revistas e uma enorme janela, havia uma imensa divisória de vidro.
-Cris, fique à vontade, vou lá dentro para uma reunião de última hora, e já volto.
-Tudo bem.
Atravessei o ambiente, chegando até o outro lado para olhar a vista. Era possível apreciar o Palácio de hóspedes do Imperador que tinha ao seu redor um admirável parque verde, bem no coração da cidade com sua entrada para a frente do prédio, um espetáculo. Peguei um café, algo para ler e sentei-me no confortável sofá, quando percebi um movimento na recepção, do outro lado do vidro.
-Não é possível. - Me escondi atrás da revista. -É ele.
Por que aqui? Por que agora? Bem as perguntas eram fáceis de responder. Ele estava ali meramente por causa de negócios. E falava com a recepcionista.
Considerando o conjunto de perguntas aflitas, entrei em desespero. Meu coração aflito disparava mais do que se permite a razão, minhas mãos suavam frio, meu corpo tremia em resposta ao emaranhado de sentimentos que aquela inesperada situação me causava.
Mas não podia negar que ele continuava lindo. Quase não resisti ao impulso de correr e abraçar aquele homem perfeito. ”Malditos hormônios”
Aos poucos me deixei invadir pela saudade que sentia de Michael. Teríamos vivido momentos felizes. Momentos sensuais se não fosse por... Peter!
- Deus!Estou perdida!Vamos Roberta, onde você está? Prometeu que voltaria logo!

continuaaa

13 Re: inverno em tóquio 1º parte em Sex Fev 18, 2011 4:59 pm

carol jackson

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POR QUE PAROU? CONTINUA,CONTINUA,CONTIUA....... cheers cheers cheers cheers

14 Re: inverno em tóquio 1º parte em Dom Fev 20, 2011 5:25 pm

intercris


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CAP 15


Então, os dois seguem para uma sala nos fundos e somem entrando por uma porta, no final do corredor.
Deveria fugir dali, mas não tinha forças. Rezei para que a Roberta retornasse primeiro, todavia, isso não aconteceu. Depois de alguns instantes todos voltaram juntos.
Desolada, sentei-me novamente, não sabia o que iria acontecer. Não podia fazer nada a não ser permanecer imóvel para não ser vista.
De repente, Michael encosta na mesa da recepcionista, cruza os braços e olha por cima de um ombro em minha direção. Tentei não demonstrar interesse e peguei novamente a revista para folheá-la. A frustração o fez dar alguns passos pela área da recepção e voltar ao seu local de origem.
Roberta, percebendo a inquietação, tentou prender a atenção do Peter temendo que ele percebesse alguma coisa.
Sem saber o que fazer, Michael parou de andar e virou-se para fitar-me com uma expressão cheia de emoção, sustentando aquele olhar triste e aflito quase como súplicas silenciosas. Como eu poderia causar-lhe tanto sofrimento, quando tudo o que queria era fazê-lo feliz?
Rever a mulher que ele jamais esquecera, mas que definitivamente deveria esquecer, levando em conta a concepção de vidas tão diferentes, provavelmente não seria o remédio para todos os males. Não, certamente esta não era a cura da qual precisava.
Como um punho ferro, o remorso fechou-se em meu coração, então decidi encará-lo, olhando-o fixamente através da vidraça que nos separava. Aquilo era loucura, sabia disso. Havíamos decidido que um romance entre nós não poderia mesmo dar certo. Mas agora...
Em um Conto-de-Fadas perfeito, ele seria o príncipe que eu teria escolhido. Mas como este mundo real é cheio de falhas e coisas como amores improváveis e diferenças gritantes que separam até mesmo os mais apaixonados, o que aconteceu entre nós deveria ser o suficiente.
-Estou condenada! Não posso fazer isso!- Tomada pela necessidade de resistir, respirei fundo e mais que depressa, levantei-me e debrucei-me na janela. “Não sou capaz de vencê-lo”-Pensei.
Ao longo daqueles momentos angustiantes, percebi uma série de coisas. A primeira delas é que a presença dele ainda me provocava um desejo, uma necessidade de tê-lo, mais do que nunca. A segunda, infelizmente, era que talvez não tivéssemos a oportunidade de ficar juntos para viver-mos esta paixão.
Michael constatou que não teria mesmo chances, após várias ligações não atendidas, vários recados não correspondidos e aquele encontro frustrante, finalmente desistiu. Talvez fosse melhor assim.
-Amiga, eu não podia imaginar que eles estariam aqui, pensei que estavam fora da cidade.
Explicou-se Roberta entrando apressada na pequena sala.
-Quando ele chegou?
-Hoje cedo.
-Por que não mentiu sobre eu estar aqui?
-Impossível! Quando me encontrou, a primeira coisa que fez foi perguntar por você.
-Você não tinha esse direito.
-Cris, ele também está sofrendo.
-Eu pensei... -A voz trêmula- Pensei que ele já houvesse superado esta fase.
-Por favor! Compreenda, não pode querer que Michael desista de tudo isso. É a vida dele. É o trabalho dele.
Se você o quer de verdade, tem que aceitar estas condições de vida.
-E quem lhe disse que eu o quero?- Disse fingindo desdém enquanto fitava a paisagem.
-Não minta para si mesma. Está na cara que vocês dois precisam um do outro. Dê uma chance para que esse amor aconteça.
As palavras dela me surpreenderam por mais uma chocante constatação: Não tinha mais como negar, estava perdidamente apaixonada.



CAP. 16


A neve já caia em Tóquio, então, naquela semana que precedia o natal aproveitei para adiar os meus projetos para o próximo ano.
A lembrança de Michael também estava congelada. Ele já não estava na cidade há algumas semanas, no entanto, não atender suas insistentes ligações e recados, foi determinante para que ele chegasse a conclusão de que não haveria mais nada entre nós. E a vida seguia o seu curso normal, muito rapidamente.
Nesta época do ano além da decoração que aquece apenas o comércio, nada muda. No Japão as famílias não se reúnem para comemorarem esta data. Aqui, o natal funciona mais como o dia dos namorados.
O movimento no comércio é principalmente nas lojas que vendem presentes para as namoradas. As jóias são as preferidas, e além do presente caro, os homens levam suas companheiras no mínimo para jantar, mas o ideal é passarem a noite em um hotel, de preferência fora da cidade. É o que manda a tradição.
O Jermanie se programou e convidou a Roberta para passarem o final de semana fora da cidade.
O dia vinte e cinco não era feriado, entretanto, era sexta-feira e a Roberta pediu folga no trabalho.
-Cris, quero comprar um vestido novo. Preciso estar linda para esta noite. – Disse enquanto jogava suas roupas tiradas do armário, sobre a cama.
-Podemos ir, assim aproveito para comprar uns casacos, os que tenho não são suficientes para este frio.
-Fomos às compras. Uma parada enquanto a banda passava, uma feira de artesanatos, uma dança típica do velho Japão. Ficamos admiradas paradas em frente a uma pomposa árvore de natal montada em um shopping. Uma árvore estilizada, feita com os restos de lustres aproveitados de um salão de conferências antigo.
Dentre pinheirinhos, papais noéis, luzinhas... -“Puxa, que saudade de nosso natal no Brasil”, o sentimento era de saudades mesclada com a vontade de viver o verdadeiro sentido desta data.
Paramos para comer. Nos demos conta que convivemos por algumas horas, como jamais convivemos desde que cheguei de viagem. A Roberta estava feliz.
-Obrigada por passar este dia comigo. -Os dedos entrelaçados aos meus. Com o coração pesado apenas assenti.
-Posso fazer uma pergunta?
-Claro!
-Depois de tanto tempo... Você ainda pensa nele, não é?
-Não consigo disfarçar. É mais forte que eu!
- Nunca a vi tão triste.
-Mas vai passar!
-Espero que sim. Você precisa se alimentar direito, voltar para o seu curso e quem sabe trabalhar?!
- Em Janeiro, verei tudo isso assim que o final do ano passar.
-Sabe que pode contar comigo, e com o Jermanie.
-Vocês são os irmãos que não tive, Agora são minha família.
-Eu amo você.
-Eu também! –Respondi com um pálido sorriso no rosto.



CAP 17


Inexplicavelmente ainda sentia saudade desse homem que me deixava vulnerável e desequilibrada emocionalmente. Nada, nem mesmo aqueles momentos agradáveis ao lado da minha melhor amiga, poderiam ser felizes sem ele.
Mas, o medo de me machucar ainda mais, considerando que já estava assim sem ao menos ter provado um único beijo, justificava esse imenso sacrifício.
No entanto, naquela noite fria, de uma forma estranha desejei muito que Michael me ligasse novamente. Queria no mínimo ouvir a sua voz doce e sensual. Talvez pela nostalgia da ocasião, talvez por estar fazendo de conta que não me sentia frustrada por estar passando o meu primeiro natal longe da minha família. Normalmente passava este dia na casa de meus pais e pode acreditar, lá a alegria é suficiente para contagiar a todos presentes e alguns vizinhos.
Maldição. Naquele momento falar com ele parecia muito mais irresistível. Precisava dele como um pacote embrulhado em papel de presente necessitava de um laço de fita. E um amor não correspondido não era o melhor ingrediente para compor a tentativa de uma feliz noite natalina.
Com impaciência crescente, esperei que ele me ligasse. Porém, a espera foi em vão.
Peguei o celular, Segurando a respiração, pensei em todas as coisas que poderia dizer. Não sabia se teria coragem para falar tudo de uma só vez, mas... Bem talvez dissesse a ele que Peter não me incomodava mais. Talvez sugerisse que tentássemos novamente. Talvez dissesse que o amava.
O número de Michael estava ocupado.
Desapontada mais uma vez!
Roberta entra na sala alisando uma prega no seu longo vestido azul.
-Beta, esta noite o Jermanie a pedirá em casamento. Certamente não resistirá aos seus encantos.
-Você acha mesmo?
-Você está perfeita.
-Venha aqui e me dê um abraço.
Levantei-me do sofá para abraçá-la.
-Feliz natal querida!
-Feliz natal.
-Tem certeza que ficará bem?
-Não hesite! Você e Jermanie merecem este tempo juntos e sozinhos. Aproveitem!
- Pode deixar. Direi isso à ele.
-Deseje-lhe um feliz natal, ok?
-Está bem.
Neste meio tempo, o interfone tocou e Roberta pegou sua valise, encaminhou-se para porta e deu-me um último olhar relutante.
-Vá, ficarei bem.
Então ela se foi.


CAP 18


Sozinha na minha sala multiuso, decidi preparar uma ceia à Japonesa. Aqui a tradição é comer um frango frito que vem em pedaços, comprado no Kentucky fried chicken ou feito em casa mesmo. Ele está mais para o nosso peixe da sexta-feira santa, do que para o nosso peru de natal. Como não havia providenciado a minha encomenda, teria eu mesma que prepará-lo. Então, fui para a cozinha me aventurar. Peguei um avental, amarrotado no fundo da gaveta e coloquei uma bandana para proteger o cabelo da fritura. Liguei o som, enchi uma taça de vinho. Pronto, tinha ali todos os ingredientes para um jantar quase perfeito.
Estava envolvida com o meu novo desafio, quando inesperadamente ouvi a campainha.
-Xi! Acho que o porteiro veio buscar a sua caixinha. Só um minuto, eu já estou indo!
Desliguei o fogo, enxuguei as mãos no avental, corri até o armário e peguei o volume, cujo dinheiro já estava separado.
A campainha não parava. Tocava incessantemente.
-Calma! Já falei que estou indo!
Quando abri a porta, a interpretação desafinada de “frosty the snow mem” morreu em minha garganta. Amassei o envelope.
-Michael!
Visivelmente desconcertada dei um passo para trás. Papai Noel não se esquecera de mim e o deixou em minha porta e ele parecia ainda mais atraente do que havia sido antes.
Eu o olhava perplexa. A face enrubescida, me sentindo totalmente acalorada embora estivesse nevando.
Tudo porque pousava diante de mim, com as mãos no batente da porta, o olhar sedutor, de casaca inglesa e botas. E ele era apetitoso assim vestido. Ele sabia o impacto que provocara. Ele entendia tudo. E apesar de tudo... Ele esperava. Esperava que as coisas fossem diferentes, esperava que a magia da data pudesse mudar as coisas, de algum jeito. E eu também tinha esperanças.
-Não vai me convidar para entrar? Está frio aqui fora. - A voz ressoando profunda no teto baixo.

Claro! Entre por favor.
Afastei-me ainda mais. Mas não tinha dúvidas. Ele era o presente que eu queria para aquela noite.
-Por que não atendeu as minhas inúmeras ligações?
-Porque o melhor a fazer é nos manter afastados. Isso já esta decidido. – Sentia- me estonteada.
-Está mentindo.
-Somos diferentes. Só isso!
-Os opostos se atraem, sabia?- A voz sexy como tudo nele
-Quem falou em atração? Eu jamais admitiria, embora ainda me sentisse atraída por ele.
-Ora! Você pode dizer a verdade. Vi sua expressão quando abriu aquela porta. – Incitou-me com um sorriso perigoso.
-Que absurdo é... A risada de Michael fez-me parar no meio da frase e não pude evitar rir também, reconhecendo como ele tinha amenizado o clima de forma eficiente.
-Você é linda! – O olhar dele poderia derreter cera.
Meu coração disparou em resposta a sua proximidade. O aroma afrodisíaco dele era intoxicante e provocava minha sensualidade. Adorava aromas: flores frescas, óleos aromáticos, cheiro de chuva, mas nenhum de meus aromas favoritos chegava perto do delicioso perfume de Michael. Precisava da ajuda divina.
-Bela tentativa!
-Estou falando sério! E estava mesmo. Nós dois olhamos para a barra do avental que beirava a altura das coxas. Os olhos de Michael seguiram viagem, descendo por minhas pernas até chegarem aos sedutores tamancos de cetim. A fantasia de quase todo homem que ele conhecia.
Tê-lo novamente tão perto, e agora definitivamente sozinhos... Aquela situação me remeteu a pensamentos muito sensuais. Eu o encarei em silêncio.
-Não estava esperando por você, preciso trocar-me. -Disparei aflita livrando-me do avental.
Diante de minha inquietação, inesperadamente ele segurou com força o meu braço. O gesto obrigou-me a fitá-lo. Ele pressionou os lábios e eu não pude deixar de notar que sua boca ainda era carnuda e sensual. E aproximou-se ainda mais.
-Tenho esperado ansiosamente esta noite. Nosso momento. Você. Eu. Juntos. E sozinhos, finalmente.

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